“...chorai com os que choram”

A devastação causada pelos furacões Katia, Jose e Irma na América Central e o na costa leste dos Estados Unidos ainda deixa marcas profundas na alma daqueles que sucumbiram à tragédia. Seja pela perda de entes queridos ou pelos lares destruídos, vidas terão que ser reerguidas tanto quanto as casas levadas pelos fenômenos naturais.

Neste momento de dor e sofrimento, tudo o que as pessoas precisam é de apoio, de um abraço amigo e de orações, principalmente daqueles que estão ilesos em seus lares, distantes de ocorrências semelhantes. O amor ao próximo é algo que deve ser manifestado e o caráter cristão deve ser exercido mais do que nunca.

Agora, o que menos essas pessoas precisam é de um culpado. E para isso, já apresentaram vários. Sobrou até para o presidente norte-americano Donald Trump, cuja recente eleição foi creditada como foco da vingança da “mãe natureza”. Pior são os que acreditam que toda essa devastação é apenas um estalar de dedos da justiça divina contra a humanidade. Quem morreu, logo, era alguém cheio de pecados.

Às vezes tenho vergonha alheia de pessoas que erguem a bandeira do Cristianismo para vociferar bobagens que fogem muito aos ensinamentos do Mestre. Não nos cabe dizer se de fato Deus julgou a Flórida, o Golfo do México, Haiti e outros lugares afetados pelos três furacões. Principalmente agora, que a dor ainda é presente na alma daquelas pessoas. É tão desnecessário quanto aqueles que entram em funerais dizendo à família que quem está no caixão “foi para o inferno por não aceitar Jesus”.

Paulo, em sua carta à igreja em Roma, nos dá a direção a seguir: “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram” (Romanos 12.14,15). Portanto, devemos nos compadecer com os necessitados, com os machucados, com todos os que estão fragilizados. E partilhar de sua alegria, quando esta brotar de seus corações feridos.

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