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O juízo ou o sangue do cordeiro - Por Joversi Ferreira


A Páscoa nasce na escravidão do povo de Deus no Egito. Ela surge ligada à 10ª praga que Deus lançou sobre o Egito para demonstrar Seu poder e Sua glória a todos que ouviriam a história de como Ele libertou o Seu povo. 

E, em resumo, foi bem simples. Deus avisou a Moisés e ao povo que iria matar todo primogênito. Ele iria “passar” por todo o Egito por volta de meia-noite. Aliás, a palavra hebraica para Páscoa, Pessach, significa “passar por cima”. Para não sofrerem com os egípcios, os israelitas deveriam preparar uma refeição específica para a noite da “Pessach” e, mais importante, tingir os umbrais das suas portas com o sangue do cordeiro, macho, de um ano, que estava sendo consumido naquela refeição. Todos esses detalhes e a fatos estão registrados em Êxodo 11 e 12. 

Muitos se ocupam com ideias desnecessárias e até erradas sobre a Páscoa. Uns se debruçam sobre a ideia de que não se trata de uma festa cristã, mas, sim, pagã ou, pelo menos judaica. Sim, se você irá comemorar meramente com chocolate e coelhos, você terá uma “bela” comemoração pagã. E, sim, se você irá seguir as orientações ritualísticas do texto de Êxodo, Mazel Tov, você terá uma “bela” comemoração judaica. 

E, por incrível que pareça, tantos cristãos (nominais ou não) tem optado por seguir o curso da sociedade e focado em coisas fúteis como ovos de chocolate e coelhos que, em parte, fomentaram o surgimento de uma atitude legalista de outros cristãos que caíram em uma postura judaizante. Ambos os casos, algo muito triste. E que também têm a sua parte na outra reação, isto é, a Páscoa não é uma festa cristã. Mesmo que grandes e longos argumentos bíblicos sejam colocados atrás desta posição, ainda assim, algo também triste. 

Mas, será que é apenas isso que temos ao nosso dispor? Melhor ainda, entre essas opções e nenhuma, o Senhor deseja que simplesmente rechacemos qualquer envolvimento com a data? Eu não creio que este seja o caso. 

Primeiro, a Páscoa não ficou no Antigo Testamento. Se assim o fosse, ficaria para trás, nas páginas da velha e caduca Aliança, tal como as Festas dos Tabernáculos ou a Festa das Primícias e todas as demais festas judaicas que não possuem lugar algum em nossas igrejas, em nossas vidas e em nossas famílias. Eram sombras, tal como as Festas dos Tabernáculos ou a Festa das Primícias e todas as demais festas judaicas que não possuem lugar algum em nossas igrejas, em nossas vidas e em nossas famílias. Eram sombras e já passaram (Cl 2.16-17). 

Retornando, a Páscoa não ficou no AT. Ela surge na narrativa do NT como um ápice da Paixão de Cristo. E isso era algo prenunciado; pelo menos para o leitor mais atento. Logo antes do começo do ministério de Jesus, João Batista bradaria suas famosas palavras... “Quando viu Jesus passando, disse: ‘Vejam! É o Cordeiro de Deus!’” (Jo 1.36). João estava apenas ecoando as palavras de Isaías que já havia vaticinado como o Messias sofreria: “Ele foi oprimido e afligido; 

e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro, foi levado para o matadouro; e, como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.” (Is 53.7). 

Então, naquela última semana (chame de “santa” se quiser), Ele foi aclamado com Hosanas pela multidão na Entrada Triunfal em Jerusalém, mas, em cinco dias, Ele seria negado, traído, brutalmente torturado e crucificado. Levando os pecados dos Seus para que o Anjo não pudesse tocá-lo. 

Hoje, você que está lendo isso, tem um encontro. Ou ele será com o JUIZ ou com o SANGUE do CORDEIRO. Não há mais primogênitos sendo mortos como no Egito. Hoje, o Juiz executa Sua justiça sobre o nosso pecado; uma condenação merecida. Ou, Ele vê o sangue e sabe que fomos redimidos; uma salvação sem nenhum merecimento. 

Então, me desculpem, mas comemoro sim a Páscoa. Em seu novo significado. Não tenho parte com coelhos, não tenho parte com festas judaicas. Antes, “Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou.” (Hb 13.12,13) - me junto ao meu Cordeiro Pascoal, o qual é meu Senhor e Deus também, coberto em Seu sangue, remido, perdoado, justificado, eleito desde a eternidade... e tudo isso sem merecer. 

A Páscoa, a nova Páscoa, é a celebração do Evangelho onde “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3-4). É a celebração e louvor ao Deus que fez o primeiro sacrifício ao matar os animais para vestir o pecado de Adão e Eva; e, então, entregou o Seu próprio filho, Seu único Filho, por mim. Para cobrir o meu pecado. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O meu Cordeiro da Páscoa. Obrigado, Jesus.

* Pr. Joversi Ferreira – Teólogo e pastor presidente da Comunidade Batista Videira, em Boa Vista – Roraima   





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