Imagem distorcida - Por Max Moreira

“O pecado corrompeu a imagem, mas não a inutilizou. ”
Quando eu era pequeno, e lia os trechos de Gênesis que fala da criação do homem, me era confuso (risos). Triste que isso se expandiu à fase mais adulta (rindo para não chorar). Pois, por falta de conhecimento das Escrituras, não entendia aqueles versículos. 

Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança...” (Gn. 1.26) e “Criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn. 1.27). Eram textos que eu interpretava literalmente. Imaginava Deus como uma pessoa, em forma humana e isso era evidenciado quando me olhava no espelho, e pensava: “Poxa!! Deus deve ser assim!”. 

Acho um pouco compreensivo pensar assim, como criança que não teve uma boa base; também por culpa minha, em estar desatento à EBD e de não buscar entender o que o texto queria dizer. Mas como adulto, é trágico. Deus comunicou alguns dos Seus atributos, aqueles que são comunicáveis, isto é, entender que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança. Nos deu o privilégio de termos alguns desses atributos como: amar, perdoar, se comunicar... E graças a Ele, não nos deu outros, porque como diz o ditado: “Deus não dá asa a cobra”. Como homens caídos, não saberíamos usa-los (já não sabemos usar os que temos, imagina outros). 

O pecado entrou no mundo e distorceu a imagem de Deus em nós. Quando usamos óculos e eles estão sujos, com manchas dos nossos dedos, a imagem fica embaçada, turva e até complicada de se entender, mas depois que limpamos, tudo fica muito melhor. Passamos a enxergar melhor as coisas. O pecado nos deixou embaçados, turvos para a sociedade e para nós mesmo. Mas Cristo veio restaurar essa imagem de Deus em nós, nos deixando mais parecidos com Ele. Deus só nos aceita porque ao invés de ver o pecado em mim, Ele vê Cristo em nós. Somos lavados pelo sangue purificador de Jesus no madeiro. E assim, justificados. 

Deus quer que sejamos como Ele é: perfeito, sem mácula. O problema de tudo isso é que o pecado nos afasta dessa perfeição. Ele ainda quer nos levar a outro pecado e a outro pecado, mas Cristo já o venceu na cruz. Então não somos mais escravos. Mas infelizmente, com efeitos noéticos, não tomamos decisões boas por nós mesmo. 

Mas também, não quer dizer que não devemos tentar caminhar numa vida piedosa, íntegra e completa. E é o que Deus quer de nós, nos santificarmos todos os dias, pedindo sabedoria e “andarmos no Espírito” como Paulo fala aos Gálatas. Viver no espírito é nos encher com o Espirito e na Sua Palavra, já que o nosso coração é mau. Preenche-lo com os decretos de Deus, assim andaremos em Espírito. 

Uma das perguntas que não devem deixar de ser respondidas na nossa caminhada aqui nesse mundo é: “Qual é o meu objetivo aqui? ”. Ou “Qual minha finalidade aqui?”. Será que você foi posto nesse mundo só para nascer, comer, beber, trabalhar, reproduzir e morrer? Se for por isso, nosso significado é pequeno. Pensar dessa forma é não ter a perspectiva correta da criação. 

Quando se é criança, constantemente somos questionados com o que queremos ser quando crescer, e logo respondemos baseados em nossos pressupostos, quando que sou influenciado por meus pais, pelo ambiente, por amigos. Não digo que essas coisas são ruins, mas é uma pequena parte da nossa vida (não menos importante) que podemos verificar quando respondemos às perguntas anteriormente apresentadas. O objetivo principal do homem é glorificar a Deus e gozar da vida com Ele. Quando observamos isso, tudo em nossa vida faz sentido. Podemos usar o nome de Deus conosco, pois Ele nos criou. Somos dEle em Cristo. 

Gosto da figura de um embaixador. O que é um embaixador? É aquele que representa seu governo em outro país. Somos esses embaixadores, representamos nosso Deus aqui nessa terra, não somos daqui, somos cidadãos dos céus, mas enquanto não vamos para o nosso lar, devemos representá-Lo fielmente. Será que estamos sendo bons embaixadores ou envergonhamos nosso Rei? 

O tolo não conhece a Deus e, algumas vezes, Ele permite que o ímpio seja próspero aos seus próprios olhos, uma vida regada a riquezas e prosperidade, o que faz o tolo a acreditar nas suas próprias forças. Nisto, consiste a queda daquele que não conhece a Deus. Mesmo Deus exercendo sua Graça comum na vida de todos, o tolo acredita que sua riqueza vem dos seus braços. E tudo isso é engano. Deus é nosso refúgio, nossa fortaleza. Deus deve ser nossa alegria, tanto na fartura, como na falta dela. E isso, só pode ser fixada em nossas vidas observando a glória futura, a morada eterna com nosso Rei. Vivamos uma vida na perspectiva de que nada aqui é eterno, mas passageiro e a glória real e nos céus com Cristo. 

* Por Max Moreira – Estudante de Teologia e membro da Comunidade Batista Videira (Boa Vista - Roraima)

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