Americanos confiam mais na igreja que em empresas de tecnologia, diz estudo

Segundo o estudo, a boa reputação das igrejas, em oposição às constantes ameaças à privacidade nos meios eletrônicos aumentam a fé dos americanos (foto: Ilustração)

Pela primeira vez em pelo menos uma década, os americanos agora veem as igrejas e outras organizações religiosas com mais confiança do que as empresas de tecnologia, cujos serviços e dispositivos denominam praticamente toda a vida cotidiana. 

De acordo com um novo relatório do Pew Research Center, desde 2010, a maioria dos adultos dos EUA apreciaram as contribuições de empresas de tecnologia, acreditando que elas tiveram um efeito positivo na “maneira como as coisas estão indo no país”. Porém, à sombra das batalhas culturais e legais sobre a privacidade, as armadilhas das mídias sociais e o crescente domínio dos gigantes do Vale do Silício, a fé na tecnologia despencou. 

Na última década, cerca de 7 em cada 10 americanos disseram que as empresas de tecnologia tiveram um efeito positivo no país, atingindo um pico em 2015, com 71%. Hoje, apenas metade dos americanos concorda com essa ideia. Nenhuma outra instituição importante examinada pelo Pew - universidades, sindicatos trabalhistas, bancos e outras instituições financeiras, grandes corporações, mídia nacional, igrejas e organizações religiosas - viu um declínio severo no apoio às marcas de tecnologia. 

"Por muitos anos, havia uma confiança inerente em empresas de tecnologia devido ao valor que suas ferramentas e serviços agregavam às nossas vidas", disse Jason Thacker, diretor de criação e pesquisador associado da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Southern Baptist (ERLC). “Mas, como mostram os dados, essa confiança foi quebrada, já que o impacto real dessas ferramentas está sendo amplamente sentido”. 

Apenas há alguns anos, havia “amplo consenso de que as empresas de tecnologia e pequenas empresas têm um efeito positivo na maneira como as coisas estão indo no país”, afirmaram os pesquisadores da Pew em 2015. Esse consenso envolve empresas como Facebook (multado em um recorde de US $ 5 bilhões por violações de privacidade), Apple e o Google, que sentiram a irritação legislativa de consumidores e governos com o modo como seus dados foram manipulados. 

Na sequência, os americanos têm uma visão cada vez mais pessimista de onde a tecnologia está se dirigindo, com um terço considerando seu impacto negativo e 50% positivo. A reputação das igrejas e organizações religiosas é um pouco maior: 29% dizem que igrejas e organizações religiosas têm um efeito negativo, e 52% dizem que o efeito é positivo, de acordo com as conclusões do Pew. 

Há também uma clara divisão ideológica crescente. Para se ter uma ideia, 68% das pessoas que se declaram de direita veem as igrejas e organizações religiosas positivamente, contra 38% de pessoas da esquerda. A recente queda na aprovação de empresas de tecnologia pode refletir uma mudança útil no engajamento do consumidor. 

"É um desenvolvimento positivo que o público agora esteja começando a pensar criticamente sobre como usamos a tecnologia e sua influência em nossas vidas", disse Thacker, que estuda as implicações éticas e sociais da tecnologia. “Como aqueles que acreditam que todos os seres humanos são criados à imagem de Deus, os cristãos trazem uma perspectiva única para essas questões que eu espero que continuem. Não devemos terceirizar nossa liderança moral para a cultura”. 

Cada vez, os cristãos estão se aproximando do desafio. Numerosos líderes evangélicos, incluindo Thacker, endossaram uma declaração especificamente evangélica de princípios relacionados à inteligência artificial no início deste ano. Josh Moody, pastor sênior da College Church e fundador da God Centreed Life, encoraja os cristãos a adotarem a tecnologia como meio de evangelização. 

"Não devemos ser luddites [quem é contrário à tecnologia]", disse ele, com uma cautela de acompanhamento. "Mas também devemos estar cientes do que está fazendo para nós", afirma Moody, em referência à gama de pessoas que se opuseram à Revolução Industrial, em meados do século 18. 

Porém, as discussões fiéis sobre as atuais questões tecnológicas e os próximos desenvolvimentos não devem ser relegadas apenas aos teólogos e líderes da igreja, disse Thacker. "Uma das maneiras mais práticas que a igreja pode ajudar a liderar nessa área é começar a abordar essas questões em nossos encontros, classes e pequenos grupos", disse ele. “Simplesmente falando sobre eles em comunidade, podemos ajudar nosso povo a navegar esses assuntos com sabedoria e esperança”.

Fonte: The Christian Today

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