Header Ads

ad

Líderes religiosos de 125 países se reúnem na Alemanha para discutir “medidas relevantes ao planeta”

Aquecimento global, geopolítica e desmatamento estão na pauta de discussões da Reliões pela Paz (foto: Christian Thiel)

Com um discurso de união em favor de uma resolução para os problemas do mundo, a 10ª Assembleia Mundial das Religiões pela Paz (Religion for Peace) acontece em Lindau, Alemanha desde esta terça-feira (20) e terá quatro dias de duração. O evento reúne as principais lideranças religiosas de 125 países. 

A proposta do encontro é promover ações relevantes à sociedade, que na visão geral do evento, estão acima de quaisquer questões dogmáticas. Por conta disso, foi proposto uma declaração de compromisso, visando fomentar uma cooperação multi-religiosa em todo o planeta. 

Quase todos os líderes religiosos que falaram na cerimônia de abertura chamaram comunidades de fé para olhar além de suas próprias questões locais ou relacionadas à igreja. "Nada pode ser feito se trabalharmos separadamente", disse o patriarca ecumênico Bartolomeu I de Constantinopla. 

Kosho Niwano, presidente designado do movimento budista japonês Rissho Kosei-kai, elogiou a cooperação inter-religiosa do passado e disse que deve continuar no futuro. "Temos visto meio século de progresso até agora e para que isso continue, a única maneira é que trabalhemos juntos". 

O cardeal John Onaiyekan, arcebispo de Abuja, Nigéria, concordou. "O futuro depende inteiramente de como lidamos com nosso bem-estar compartilhado", disse ele aos mais de mil participantes do encontro. 

Shaykh Abdallah Bin Bayyah, presidente do Fórum para a Promoção da Paz nas Sociedades Muçulmanas, contou uma parábola envolvendo um navio de dois andares onde a água potável era armazenada no nível superior. 

"As pessoas no nível inferior precisavam de água para beber e começaram a perfurar um buraco na lateral do navio para tirar a água do lado de fora. Se aqueles no nível superior compartilhassem suas águas, todos sobreviveriam. Mas se eles não fizerem isso, os que estão no fundo irão perfurar o buraco e logo todo o navio afundará e todos irão perecer”, disse Bin Bayyah. E continuou: "É o mesmo para todos aqui. Devemos trabalhar juntos ou todos falharemos". 

Uma parte fundamental das atividades do dia de abertura foi a apresentação formal de uma escultura em forma de anel de 25 pés de altura que permanecerá em Lindau como um símbolo da assembleia. 

O secretário-geral da Religiões pela Paz, William Vendley, chegou a criticar a postura de alguns grupos religiosos do Peru, Bolívia, Brasil, Congo e Indonésia, que segundo ele, se encontram à margem das conversas em Lindau para discutir formas de promover uma ação mais forte sobre a mudança climática em seus países de origem. 

“As selvas nesses cinco países representam cerca de 20% da captura de carbono que o mundo precisa para manter a temperatura dentro da meta”, disse Vendley a jornalistas, referindo-se à meta formal das Nações Unidas para mudança de temperatura neste século em comparação com os níveis pré-industriais. 

Miguel Ángel Moratinos Cuyaubé, alto representante da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, disse que encontros como os de Lindau são importantes para o processo de elevar o perfil dos grupos religiosos como parte da solução para os desafios globais. 

"No século 21, podemos dizer que a religião é relevante mais uma vez, e isso é muito importante. Há um consenso no mundo de que todos nós devemos tomar medidas para salvar o planeta das mudanças climáticas ou dos conflitos. Mas se conseguirmos salvar o planeta, como podemos garantir que também nos salvamos?”, questiona. 

O encontro se encerra nesta sexta-feira (23). 

Fonte: Religion News

Nenhum comentário