Mais de 1.200 igrejas acumulam R$ 460 milhões em dívidas com o Governo Federal

Só a Igreja Internacional da Graça de Deus, de R.R. Soares, soma R$ 127 milhões em dívidas com a Previdência | FOTO: Divulgação/ OnGrace

Um levantamento feito pela Agência Pública, através da Lei de Acesso à Informação, apontou que cerca de 1.283 organizações religiosas, a maioria evangélicas, acumulam dívidas que, juntas, chegam a R$ 460 milhões, e ao menos 23 delas possui uma dívida particular superior a R$ 1 milhão.

A campeã de dívidas é a Igreja Internacional da Graça de Deus, que deve mais de R$ 127 milhões (quase um quarto da dívida acumulada entre todas as entidades), segundo dados verificados em agosto de 2019. A maior parte da dívida da Igreja Internacional é com a Previdência, e se refere a valores não pagos sobre a folha de pagamento dos seus funcionários – entre os quais se incluiriam até mesmo alguns pastores. 

A segunda colocada do ranking de religiosos devedores é a também neopentecostal Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, cujo valor não pago à Receita Federal é de R$ 83 milhões – dos quais R$ 5,7 se referem a contribuições ao FGTS que não foram pagas. Assim como Soares, Santiago também iniciou seu projeto próprio depois de sair da Igreja Universal do Reino de Deus.

O bronze no ranking é de uma organização católica, a Sociedade Vicente Pallotti, com sede na cidade de Santa Maria (RS), que deve R$ 61 milhões à União, sendo quase a totalidade desse valor (R$ 59 milhões) referente a contribuições previdenciárias.

Igrejas tentaram anistia de dívida, apesar de já contarem com uma série de imunidades

A dívida milionária das entidades religiosas com o governo quase teve um fim em 2017. Na época, a bancada evangélica havia conseguido incluir as igrejas nas organizações que teriam anistia de dívidas, na votação da Medida Provisória do Refis.

Segundo reportagem do UOL, foi o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) o responsável por acrescentar igrejas no texto da medida. “Fiz isso porque os deputados evangélicos do meu partido me pediram e eu concordo com a ideia. Se as empresas poderiam aderir ao Refis, não vejo motivos para que as igrejas não possam”, disse o deputado à reportagem. A cláusula, contudo, foi derrubada pelo Senado.

Neste ano, o governo Bolsonaro flexibilizou a prestação de contas de entidades religiosas. Igrejas que arrecadem menos de R$ 4,8 milhões não precisam mais enviar dados financeiros à Receita pela Escrituração Contábil Digital (ECD). Antes, qualquer igreja que arrecadasse mais de R$ 1,2 milhão precisava enviar seus dados dessa forma.

Fonte: Agência Pública/ Jornal Extra



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