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Estudos revelam a conturbada relação dos jovens com a religião

A taxa de jovens americanos que se afastam da religião está se mantendo estável | FOTO: CNS
A ideia de que a juventude é menos religiosa é corroborada por pesquisas que confirmam o que o bom senso já havia constatado: cada vez menos jovens estão frequentando cultos e nutrindo práticas religiosas.

A pesquisa Religious Landscape Study, do Pew Research Center, mostra que os millennials (jovens adultos nascidos entre 1981 e 1996) têm probabilidade muito menor do que os mais velhos de orar e frequentar a igreja regularmente ou considerar a religião uma parte importante de suas vidas.

Em 2019, aproximadamente 65% deles disseram frequentar cultos religiosos “algumas vezes por ano” ou menos e 40% disseram que “raramente ou nunca” vão a cultos. Há uma década, esses grupos correspondiam a pouco mais da metade e 30%, respectivamente.

O fenômeno se repete em vários países da América e Europa, mas não é um cenário homogêneo. Dos 106 países pesquisados, jovens têm uma probabilidade menor de se filiar a um grupo religioso em 41 deles. Não foram encontradas diferenças significativas em 63 países, enquanto dois países têm jovens mais religiosos que as gerações mais velhas.

No Oriente Médio, Norte da África e África Subsaariana, por exemplo, onde a maioria das pessoas se identifica como muçulmana ou cristã, não há países em que os jovens sejam menos afiliados a religiões. Na região da Ásia-Pacífico, área com grande diversidade religiosa, 17 dos 20 países não mostram contrastes significativos.

Por outro lado, diferentes perspectivas apontam que o menor envolvimento dos jovens com organizações religiosas não é necessariamente um sinal de que elas tenham menos religiosidade.

“Os millennials rejeitam a ideia de que um bom garoto é um garoto obediente. Como resultado, é mais provável que eles tenham uma atitude de ‘faça você mesmo’ em relação à religião”, explica Michael Hout, professor de sociologia da Universidade de Nova York. Segundo ele, os jovens estão mais propensos a criarem os próprios modelos de religiosidade.
Vida após a morte, anjos e fantasmas

Essa abordagem em relação à religião pode explicar a baixa prevalência de jovens que frequentam a igreja e ao mesmo tempo se mantém fiéis a crenças religiosas, como a crença no céu e no inferno, e exprimem vontade de compartilhar sua fé com terceiros - indicadores que permanecem na mesma proporção ou são até maiores em comparação com as gerações mais velhas.

Já uma pesquisa conduzida no Canadá aponta que os jovens têm uma probabilidade muito maior de acreditar em uma vida após a morte do que as gerações mais velhas, de acordo com os resultados do Project Canada Surveys, projeto de longa data para rastrear o comportamento religioso da população canadense. O mesmo se aplica a outras crenças sobrenaturais, como anjos, fantasmas e comunicação com os mortos.

A pesquisa sugere ainda que, quanto mais velha a pessoa, menor é a probabilidade de ela acreditar literalmente nas histórias milagrosas, como a passagem bíblica em que Jesus desceu ao inferno. Entre os jovens, tais crenças são mais presentes, mesmo que essa geração frequente menos a igreja.
“As pessoas presumem que aqueles que não pertencem a um grupo religioso organizado rejeitam completamente a religião”, diz Hout. “Mas as experiências espirituais ainda atraem aqueles que não vão à igreja”, destaca.

Já as nuances da religiosidade das gerações mais jovens estão relacionadas ao próprio conceito de crença religiosa. O sociólogo James E. Alcock, professor de psicologia na Universidade de York, diz em seu livro Belief: What It Means to Believe and Why Our Convictions Are So Compelling [Fé: o que significa acreditar e por que nossas convicções são tão atraentes] que crença pode significar confiança, fé, otimismo e graus variados de certeza. “Uma pessoa sábia se deleita com a vasta extensão da imaginação, ancora a crença na realidade reduzida e faz o máximo para distinguir as duas”, escreve ele.

Ainda segundo Alcock, as crenças são cruciais para moldar as experiências pessoais e têm um muito poder sobre o comportamento dos indivíduos. Elas sustentam tudo o que sabemos ou pensamos que sabemos sobre o mundo, influenciam e direcionam as nossas ações, pensamentos, emoções e reações ao nosso ambiente. Nessa perspectiva, as crenças religiosas - ou a falta delas - são apenas um fator de formação da identidade.

Política e etnia

As preferências políticas também podem ser um fator para afastar os jovens das organizações religiosas. Hout afirma que dados da General Social Survey mostram que 31% dos políticos de esquerda americanos criados com uma religião não demonstravam preferência religiosa na vida adulta, contra apenas 6% dos políticos de direita.

Por outro lado, diferenças étnicas e culturais também influenciam o nível de religiosidade de um grupo. Uma análise do Pew Research Center mostra que 61% dos millennials afroamericanos dizem que rezam pelo menos uma vez por dia, uma parcela significativamente maior que os 39% dos não-negros que dizem ter esse hábito. Além disso, 38% dos millennials negros dizem frequentar cultos religiosos pelo menos uma vez por semana, contra apenas 25% dos outros millennials.

De acordo com a pesquisa, 64% dos millennials negros são altamente religiosos em uma escala de quatro itens de compromisso religioso: crença em Deus, autodescrição da importância da religião, participação em oração e adoração. Entre os não-negros, a prevalência é de 39% dos millennials.

Os índices são explicados por cultura e história. Nos Estados Unidos, desde antes da Guerra Civil e do fim da escravidão, os afroamericanos mostram uma relação de identificação com a Bíblia. Como consequência, 54% dos negros nos EUA - cristãos e não cristãos - dizem ler a Bíblia ou outras escrituras sagradas pelo menos uma vez por semana fora dos cultos religiosos, em comparação com 32% dos brancos e 38% de latinos, segundo dados do Pew Research Center.

De qualquer forma, diferentes denominações religiosas são outra influência sobre o nível de religiosidade das gerações mais jovens. Os millennials evangélicos são mais propensos a frequentar a igreja semanalmente, inclusive em comparação às gerações mais velhas, segundo levantamento da WPA Intelligence.

"O estudo mostrou que 53% dos evangélicos entrevistados disseram frequentar a igreja pelo menos uma vez por semana. Entre os jovens, o índice é maior: 61% dos evangélicos de 18 a 34 anos responderam que frequentam a igreja toda semana.

“Muitas vezes acredita-se que os millennials estão desapegados de sua fé, mas este estudo mostra que os millennials que se identificam como evangélicos estão mais engajados em sua fé do que outras gerações”, disse em um comunicado Rick Dunham, fundador da Dunham + Company, ONG cristã que encomendou o estudo.

Fonte: Gazeta do Povo 



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