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A imagem de Deus no homem




Mais do que em qualquer outro período da história, nunca se enfatizou tanto a figura do ser humano no protagonismo da existência. Nem mesmo o contexto evangélico está fora dessa tendência, dada a grande quantidade de cânticos e pregações em igrejas Brasil à fora, que centralizam o homem e quase que deixam Deus à margem da liturgia.

No entanto, o homem tem seu lugar e sua importância. Não que seja digno de centralidade no culto cristão, porém galga de fundamental honra, zelo e proteção. Tudo por um simples fato: ele traz em si a imagem de Deus (imago Dei), adquirida no ato da criação (Gn 1.26) e, ainda que em meio às consequências da queda, não deixou de refletir essa imagem.

Há diversas visões acerca da natureza humana e seu lugar na história. A cosmovisão cristã, no entanto, é enfática. O homem não é produto de uma evolução natural. Mas, sim, um ser criado por Deus com organismo físico, mente pensante e uma alma; um ente que veio à existência pela ação soberana e sobrenatural de Deus, feito à Sua imagem e semelhança (GRANCONATO, 2014).

Segundo a visão substantiva, que é a mais recorrente na história da teologia, a imagem de Deus é identificada como uma ou algumas qualidades que constituem o ser humano, que podem ir além do físico. Estes se baseiam em uma visão literal de “imagem”, que significa “estátua” ou “forma”. Mórmons são um dos grupos que seguem essa linha de pensamento.

Um dos primeiros a fazer distinção entre “imagem e semelhança” foi Irineu de Lyon, que identificou em “ícone” (eikon, equivalente grego para “imagem”) a razão e o livre-arbítrio. E em “essência” (homoiosis, “semelhança”), a capacidade de fé e obediência. Porém, segundo Irineu, o homem perdeu esta Essência de Deus devido à sua desobediência deliberada (CAVALCANTI, 1998).

Para Granconato (2014), imagem e semelhança (“tselem” e “demuth”, respectivamente) são termos distintos que visam descrever uma mesma realidade. Não necessariamente indicam que o homem seja fisicamente igual a Deus, que é espírito (v. Jo 4.24). Há uma noção de compartilhamento de personalidade, senso moral, capacidade de relacionamento, entre outros fatores que não se aplicariam aos animais, por exemplo:


· A “imagem e semelhança” é transmissível (Gn 5.1-3);

· A imago Dei serve como fundamento para a aplicação da pena capital ao assassinato (Gn 9.6);

· Com base na imago Dei, a maledicência é reprovada (Tg 3.9);

· A criação do homem trouxe honra e glória a Deus. Já a criação da mulher trouxe honra e glória ao homem. A imago Dei, somada a esse fato explica porque o homem (masculino) não pode se igualar à mulher em termos de autoridade (I Co 11.7); 

· Tendo sido corrompida pelo pecado, Deus atua na imago Dei do crente, fazendo-a crescer na direção da semelhança de Cristo (Rm 8.29; II Co 3.18; Gl 4.19; Cl 3.9-10; I Jo 3.2).

Por sua vez, Maia (2007), apresenta o aspecto da imago Dei da seguinte forma:


A imagem e semelhança refletem, em Adão, características próprias pelas quais ele poderia se relacionar consigo mesmo, com o mundo e com Deus. A imagem de Deus é uma precondição essencial para o relacionamento com Deus e expressa, também, sua natureza essencial: o homem é o que é por ser a imagem de Deus não existiria humanidade senão pelo fato de ser a imagem de Deus; esta é a nossa existência autêntica e toda inclusiva. (MAIA, 2007, p. 57).
Logo, é importante ressaltar o quão precioso é a vida humana dentro do contexto da imago Dei, o que deslegitima qualquer visão ou conceito que atente contra sua integridade, como o aborto, o assassinato, a discriminação social, racial, entre outros. Deus criou o homem para Sua glória e majestade, com quem pode se relacionar e de quem deve partir a adoração devida.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS:

- CAVALCANTI, Isaías. Imago Dei. 1998. Disponível em: <http://solascriptura-tt.org/AntropologiaEHamartologia/ImagemDeDeus-Barauna.htm>. Acesso em: 17 set. 2017.
- GRANCONATO, Marcos. Pequeno Manual de Doutrinas Básicas. 5. ed. São Paulo: Hermeneia, 2014. 141 p.
- MAIA, Hermisten. Fundamentos da Teologia Reformada. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. 221 p. 3ª reimpressão.

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