Ataque a primeiro-ministro deixa cristãos do Sudão em estado de alerta

Abdallah Hamdolk: atentado contra o primeiro-ministro é demonstração do que mais os terroristas no Sudão podem fazer |FOTO: Mohamed Nureldin Abdallah/Reuters

O primeiro-ministro Sudão, Abdallah Hamdok, sobreviveu nesta segunda-feira (09) a uma tentativa de assassinato depois que seu comboio foi atacado na capital, Cartum. Ainda assim, o incidente tem deixado a população, principalmente os cristãos, em estado de alerta por conta da forte ameaça terrorista no país. 

A TV estatal sudanesa disse que ocorreu uma explosão no momento em que o carro onde estava Hamdok fazia o trajeto costumeiro até seu escritório. Ninguém saiu ferido e, após o incidente, o primeiro-ministro foi levado a um lugar seguro. Sua família assegura que ele está bem e nada aconteceu a ele e a outros ocupantes do carro e dos veículos que faziam sua segurança.

“O ataque serve como um sinal de que grupos radicais permanecem no Sudão, que não estão contentes com as muitas reformas que o país implementou nas áreas de direitos humanos, incluindo o direito à liberdade de religião”, comentou o porta-voz da Missão Portas Abertas que responde pelo trabalho na África Subsaariana. Esse ataque agitou a comunidade cristã, que sempre foi perseguida e pressionada pelo governo sudanês.

Hamdok foi nomeado primeiro ministro de transição do Sudão em agosto passado, alguns meses após a derrubada do presidente Omar al-Bashir. Ele disse que o ataque serviu apenas como “um empurrão adicional à roda da mudança no Sudão”. Até agora, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade do ataque identificado como atentado terrorista.

Comboio atacado pelos terroristas, onde estava o primeiro-ministro |FOTO: Mohamed Nureldin Abdallah/Reuters

O Sudão se tornou um país onde cristãos enfrentam sérias restrições individuais e coletivas. O país intensificou a demolição de igrejas e prisão de cristãos. Esse é um dos resultados que provém da aplicação total da sharia (conjunto de leis islâmicas), que o presidente al-Bashir votou para implementar, após a separação do Sudão do Sul. É um país que tem sido consistentemente designado como “país particularmente preocupante” pelo governo americano.

O ano de 2019 foi difícil para cristãos de diversas formas: primeiro porque cristãos estão perdendo igrejas que usaram durante anos. Além disso, eles têm encontrado dificuldades para construir novas igrejas, sendo que o maior obstáculo são os escritórios do governo, responsáveis por emitir a permissão necessária. 

Segundo porque o governo tem prendido e intimidado muitos líderes cristãos. Além disso, o atual caos político no país tem deixado os cristãos no limbo. Embora o exército e ativistas pró-democracia tenham assinado um conjunto de acordos, a falta de clareza permanece.

Fonte: Conexão Política 

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