"Meu pai morreu como um cachorro", diz italiana filha de vítima do Covid-19

Roberta Zaninoni: "Estamos morrendo como se estivéssemos em uma guerra" |FOTO: Reprodução

A Itália tem sido um dos pontos do planeta mais afetados com a contaminação do Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O excesso de mortos, em números que crescem exponencialmente a cada hora, tem dificultado o trabalho das autoridades e já não há espaço suficiente para sepulturas nos cemitérios. 

Quem viu um ente querido partir vitimado pela doença não conseguiu fazer uma despedida adequada, ao menos na Itália. Outros terão que aguardar mais um tempo para poder conseguir cremar os corpos. É o caso dos familiares de Giuseppe Zaninoni, um dos milhões de mortos da cidade de Bérgamo. Segundo a filha, Roberta Zaninoni, a situação vivida na cidade é caótica e muito lembra um cenário de guerra. 

Zaninoni, de acordo com vídeo publicado pelo portal la Repubblica, explica que seu pai não fazia parte dos chamados "grupos de risco". Não era idoso, não tinha saúde debilitada. Ainda assim, teve um fim trágico assim como muitos outros italianos. Agora, a família deve aguardar pelo menos três semanas para poder cremá-lo. 

"Não era justo papai morrer assim. Todos eles morrem como cachorros, como porcos", disse Roberta. "Agora, apenas as sirenes das ambulâncias e os sinos que tocam no luto são ouvidas. Talvez as pessoas que não moram aqui não percebam isso, mas em nosso vale morremos como se estivéssemos em uma guerra. Faço mais de dez condolências por dia a amigos e conhecidos no Facebook e os diretores de funerais são forçados a juntar os caixões".

Roberta também faz um alerta àqueles que ainda não se atentaram para a seriedade que é a pandemia de coronavírus. Ela afirma que, assim como muitos outros, foi pega de surpresa. "No começo eu estava brincando, escrevia posts irônicos nas redes sociais. Por favor, não cometam o mesmo erro que eu. Fique em casa".

Números do caos - A Itália registrou nesta quarta-feira (18) mais 475 mortes por Covid-19. É o maior número de mortes em um único dia desde desde a divulgação dos primeiros casos. Também foram registrados 4.207 novos casos de infecções nas últimas 24 horas, número nunca antes alcançado. 

No total, o governo italiano estima que há 28.710 pessoas diagnosticadas com a doença no país, sendo que destas, 12.090 estão em isolamento doméstico, 14.363 estão hospitalizadas com sintomas e 2.257 estão em terapia intensiva. Dos 35.713 casos confirmados no país, 4.025 pessoas foram curadas. O número de mortes chega a quase 3.000. 



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