Na Índia, pastor é agredido e amarrado em árvore por radicais que o acusavam de "blasfêmia"

O pastor ministrava um culto em uma vila quando foi atacado pelos radicais hindus |FOTO: Christian Concern

Um pastor na Índia foi hospitalizado depois que extremistas hindus o amarraram a uma árvore e o agrediram brutalmente por mais de três horas, acusando-o de "blasfêmia". A denúncia foi feita pela  International Christian Concern, organização que atua em apoio a cristãos em locais de forte perseguição religiosa. 

Segundo a organização,em 1º de março, o pastor Manju Keralli estava liderando um culto na vila de Bennakoop, localizada no distrito de Gadag em Karnataka, quando um grupo de 150 nacionalistas hindus radicais entrou no serviço. Eles teriam proferido linguagem abusiva contra os cristãos, agredido fisicamente os presentes e destruído os instrumentos e os móveis da igreja antes de atacar o pastor. 

"Caí no chão depois de receber vários socos e pontapés", disse o pastor Keralli. “Então, eles me arrastaram para fora da sala de reuniões, me amarraram a uma árvore do lado de fora e deram mais socos. Eles me levaram para outros dois lugares na mesma vila e me amarraram a um poste elétrico e a um pilar no mercado. O tempo todo eles continuaram seu assédio físico por mais de três horas”. 

Mais tarde, de acordo com o pastor, a polícia chegou e o levou para a delegacia. "Até a polícia me ameaçou com linguagem obscena, dizendo que não tenho o direito de viver neste país, pois estou praticando fé estrangeira”. 

Na delegacia, a polícia entrou com um processo criminal contra Keralli sob a lei de blasfêmia da Índia, mas ainda não apresentou um processo criminal contra os radicais que invadiram a igreja e atacaram os cristãos.  

"Não consigo me sentar, pois há uma lesão nas costas", disse. “Os médicos suspeitam que possa haver uma fratura na minha coluna. Sinto muita dor na parte inferior do abdome e dificuldade em respirar.

"Além de todas essas coisas, há um processo legal contra mim de que estou envolvido em conversões ilegais", disse Keralli.

Temendo ser preso, o pastor permanece escondido e atualmente está buscando fiança antecipada pelas acusações de falsa blasfêmia que foram apresentadas contra ele.

A  Lei de Liberdade Religiosa da Índia de 2019, aprovada por oito dos 29 estados do país, proíbe a conversão religiosa como resultado de força ou indução. Aqueles que violam a lei enfrentam de três a sete anos de prisão. 

Os críticos dizem que essas leis são frequentemente abusadas pelos radicais hindus para perseguir cristãos e outras minorias religiosas. Fontes locais disseram à imprensa que tais histórias na região não são incomuns, pois os ataques a pastores aumentaram nas últimas semanas devido à inação da polícia. 

"Recentemente, houve cinco ataques a pastores apenas no distrito de Gadag", disse à ICC um líder cristão local, que falou sob condição de anonimato. “Em todo o estado, o número de incidentes aumentou bastante devido à cumplicidade da polícia e à mão livre dada aos radicais hindus. Isso tornará ainda mais difícil para os cristãos no estado. ”

A Índia está na décima posição na lista  da Missão Portas Abertas 2020 dos lugares onde cristãos sofrem as mais severas perseguições. O país subiu de 31 no ranking de 2013, depois que o primeiro-ministro Narendra Modi ganhou poder em 2014 com o Partido Bharatiya Janata.

Segundo o Portas Abertas, pelo menos 1.500 cristãos indianos enfrentaram algum tipo de violência ou ameaça às suas crenças religiosas entre novembro de 2018 e outubro de 2019, enquanto 295 cristãos foram detidos por razões relacionadas à fé.

Fonte: The Christian Post

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