Condenada a três meses de prisão e dez chibatadas, cristã iraniana tem sentença adiada por um ano

Mary tem sido um dos principais nomes da resistência à perseguição islâmica: "Ainda estamos de pé" |FOTO: Arquivo pessoal

A iraniana e ativista cristã Mary Mohammadi recebeu no mês passado a condenação de três meses de prisão e mais dez chibatadas, acusada de subversão e por perturbação à ordem pública ao participar de uma manifestação contra o governo. Felizmente, a sentença foi adiada por um ano, no dia 1º de maio. 


Além disso, May já passou seis meses na prisão como resultado de sua participação em igrejas domésticas, pelas quais foi condenada por "ação contra a segurança nacional" e "propaganda contra o sistema". A sentença, suspensa por um ano, depende de sua conduta futura.  Ou seja, se não se envolver em mais nenhum ato contrário à política islâmica. 

Por meio de suas redes sociais, Mary afirmou que se sente fortalecida, certa de que não há nenhuma prova ou indício de crime que ela tenha cometido que justifique uma condenação. “Tenho orgulho de assistir e simpatizar com os seres humanos no ambiente real e hostil das ruas. Essa é minha convicção e os custos. A sentença é suspensa por um ano.  Estamos de pé!”, disse a jovem. 

Mary também afirmou que evita apelar judicialmente contra o veredicto, porque segundo ela, “os tribunais de apelação se transformaram em tribunais de confirmação". Além disso, ela citou a forte perseguição que ela e sua família vivem desde antes da condenação continuariam mesmo se ela fosse absolvida. 

“Mesmo antes de o veredicto ser proferido, eu e minha família fomos forçados a suportar todos os tipos de tortura, nenhum dos quais foi sancionado por lei e que deveria ser considerado crime em si. Portanto, mesmo se eu tivesse sido absolvido, não teria sido uma absolvição real”, declara. 

Força em meio à perseguição

Desde a sua conversão ao Evangelho, Mary tem sido referência no que tange à luta pela liberdade religiosa, principalmente considerando a política rígida em seu país de origem, o Irã. No ano passado, ela lançou uma campanha chamada "Kahma", lutando pelos direitos de todos os cristãos - sejam de lares cristãos ou convertidos cristãos - para ter o direito de frequentar a igreja.

Em julho do ano passado, ela enfrentou novas acusações criminais relacionadas ao uso "impróprio" de hijab, o véu islâmico usado pelas mulheres muçulmanas. Essas acusações, que acabaram sendo anuladas, foram feitas depois que ela foi à polícia para reclamar de um ataque. 

Em dezembro, Mary foi expulsa de sua universidade de Teerã, sem explicação, na véspera de seus exames de inglês. Mary também foi revistada duas vezes por oficiais do sexo feminino, que lhe disseram que, se ela se recusasse a tirar suas roupas, elas as rasgariam.

O Irã é o nono pior país do mundo quando se trata de perseguição cristã na lista de observação mundial da Missão Portas Abertas em 2020. Pelo menos 169 cristãos foram presos no Irã durante o período coberto pelo relatório de 2019 da organização - 1 de novembro de 2018 a 31 de outubro de 2019.


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