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DESLIGUE A TV E VIVA| Como as notícias negativas influenciam o seu emocional

Evitar o consumo excessivo de informações pode ser um ótimo alívio à mente |FOTO: Arquivo/EBC

Já estamos, praticamente, no quarto mês de enfrentamento do novo coronavírus e cerca de dois meses desde que a pandemia foi declarada oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde então, temos lidado com muita informação, decretos e medidas preventivas como forma de combater esse mal. 

O coronavírus toma cerca de 90% dos noticiários. A todo o momento, os repórteres falam sobre mortes, novas contaminações e pouco espaço para pesquisas de medicamentos que se mostram eficientes contra o vírus, além de pouca menção aos que se recuperaram da doença. 

Diante disso, o Cristianismo Inconformado conversou com a psicóloga cristã e pós-graduanda em terapia-cognitivo comportamental, Wanessa Ketlley Macedo Serrador, para falar sobre o impacto que as notícias, sobretudo as negativas, têm sobre o emocional das pessoas e como isso também representa uma grande ameaça à saúde mental.

Em primeiro lugar, Wanessa afirma que o consumo de informações que trazem toda uma carga negativa em si pode afetar o emocional, principalmente quem já possui um quadro clínico de doença mental. "O excesso de notícias negativas pode trazer muita insegurança e medo", diz a profissional.
  
Wanessa considera que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo em toda a trajetória de vida. E isso deve ser observado justamente para que não se tenha um problema maior, como um possível quadro de depressão, crises de ansiedade e crises de pânico. 

"Uma mente saudável te ajuda a sair dessa situação de forma resiliente. E se você estiver com uma boa saúde mental, isso te ajudará a lidar com possíveis emoções negativas que possam surgir", explica.


Ela também afirma que, diante desse quadro de caos, o melhor é evitar o consumo excessivo de informações relacionadas à pandemia, como forma de cuidar da saúde mental. Não é deixar de se informar, mas evitar ser afetado pelo impacto que as notícias causam. 

Além disso, é importante também buscar um contato, ainda que à distância, de familiares e amigos é uma ótima forma de lidar com esse problema.  "É preciso se desligar um pouco de tantas informações a respeito do COVID-19 e acreditar que tudo isso vai passar logo. Aproveitar esse momento pra estar mais próximo da família e dos amigos, ainda que seja de forma virtual", ressalta.  


Medo como "arma"


Capa do The Washington Post traz a imagens das covas abertas para as vítimas do coronavírus em São Paulo

Em um artigo publicado no portal NiemanLab, ligado à universidade de Harvard, a jornalista e pesquisadora Karin Wahl-Jorgensen abordou sobre a cobertura que a mídia faz da pandemia de coronavírus. Ela, há mais de uma década, estuda o papel das emoções no jornalismo, inclusive na cobertura de desastres e crises. 

Ela observou que entre 12 de janeiro - quando surgiram os primeiros boletins relacionados à Covid-19  - e 13 de fevereiro, cerca de 100 jornais de alta circulação de todo o mundo, publicaram cerca de 9.400 reportagens sobre a doença. Desses, 1.066 artigos mencionam “medo” ou palavras relacionadas, como “receio”.

"Essas reportagens costumavam usar outra linguagem amedrontadora também. Por exemplo, 50 artigos usavam a frase 'vírus assassino'. Um artigo do jornal Telegraph estava carregado desse tipo dessa linguagem indutora de medo, ao descrever dessa maneira cenas em Wuhan compartilhadas nas mídias sociais", afirma Karin, no artigo. 

Karin destaca que a cobertura da mídia define a agenda do debate público. Embora a notícia não necessariamente não diga o que o público deve pensar, diz sobre o que pensar . "Ao fazer isso, as notícias sinalizam quais questões merecem nossa atenção", ressalta. 

A jornalista reitera que a importância do medo como tema nos relatórios do coronavírus sugere que grande parte da cobertura do surto é mais um reflexo do medo público do que informativo do que realmente está acontecendo em termos de propagação do vírus. Confira o artigo completo aqui

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