Responsável por atender vítimas de coronavírus, organização cristã é alvo de críticas de "progressistas"

Franklin Graham, diretor da Samaritan´s Purse, é o principal alvo dos progressistas norte-americanos |FOTO: Divulgação/Samaritan´s Purse

A Samaritan´s Purse, organização social cristã com 40 anos de serviços prestados à sociedade e que já atendeu mais de 300 pessoas vitimadas pela Covid-19 somente em Nova York, vem recebendo duras críticas por parte de representantes progressistas do judiciário, do legislativo e da mídia norte-americano, incomodados com a atuação em apoio aos menos favorecidos.

O nome da organização (“Bolsa do Samaritano”, em tradução livre) faz alusão à parábola do bom samaritano, registrado nas Sagradas Escrituras em Lucas 10: 30-37. O pastor Franklin Graham, filho do renomado pregador Billy Grahan, é o responsável pela organização e o principal alvo dos progressistas norte-americanos.

A organização instalou no Central Park, em Nova York, um hospital de campanha, como esforço de auxiliar o governo local no enfrentamento ao novo coronavírus. A cidade estava alcançando o pico de infestação e o sistema de saúde estava prestes a colapsar. O apoio da “Samaritan´s” foi crucial e eficiente. Tanto que agora, está prestes a deixar a cidade.

Mesmo com todo apoio prestado, a organização é alvo de manifestações diversas contrárias à cosmovisão cristã à qual pertence. É comum ver pessoas ao longo do Central Park com cartazes e dizeres maldosos. Um deles faz trocadilho com o nome: "Satan´s Purse" ("Bolsa de Satanás"). Outros, ironizamente, dizem "Stop the Hate" ("Parem com o Ódio").    

Manifestantes ao lado do hospital de campanha montado pela organização |FOTO: Leandro Justen

O presidente do Conselho da Cidade de Nova York, Corey Johnson, é quem encabeça os ataques à organização cristã. Ao saber da desativação do hospital de campanha, o político membro do Partido Democrata usou suas redes sociais para “comemorar”.  

"É hora da Samaritan's Purse deixar a cidade de Nova York. Esse grupo, liderado pelo notoriamente intolerante e irritante Franklin Graham, chegou em um momento em que nossa cidade não podia, em sã consciência, recusar qualquer oferta de ajuda. Esse tempo passou”, declara Johnson.

A aparente sandice do democrata se deve às declarações conservadores e biblicamente amparadas de Grahan em relação ao casamento homossexual, que gerou um embate com as organizações de defesa dos direitos “LGBTQ” e que foi responsável pelo cancelamento de palestras que o pastor faria em lugares como o Reino Unido.   

“A presença contínua deles [Samaritan's Purse] aqui é uma afronta aos nossos valores de inclusão e é dolorosa para todos os nova-iorquinos que se preocupam profundamente com a comunidade LGBTQ", ressalta o político.

Corey Johnson, do Partido Democrata: "A presença contínua da Samaritan's Purse aqui é uma afronta aos nossos valores de inclusão" |FOTO: Paul Frangipane

Outro parlamentar democrata de Nova York, o senador Brad Hoylman, também tem direcionado sua raiva ao hospital Monte Sinai. Se referindo a Graham como "homofóbico", o político disse que o "relacionamento venenoso" do sistema de saúde com a Samaritan's Purse precisava terminar.

Jonathan Merritt, colunista do Daily Beast, escreveu demonstrou toda a sua simpatia com os opositores de Grahan e sua organização social, afirmando que a organização religiosa fez bem em todo o mundo, “mas não é errado questionar se sua história de fanatismo poderia atrapalhar o cuidado dos doentes”.

“A organização trabalhou de forma louvável para atender às necessidades de emergência em regiões de crise desde a sua fundação. Eles conseguiram muito bem em lugares como Kosovo, Sudão, Somália e Darfur. Mas seu histórico não é impecável e muitos no mundo humanitário questionaram a qualidade de alguns dos trabalhos do Samaritan's Purse”, diz ele em seu artigo.


A organização já possui mais de 40 anos de serviços prestados a pessoas carentes no mundo todo |FOTO: Divulgação
  
Ignorando completamente seus detratores, Franklin Grahan segue firme em seus posicionamentos e a Samaritan's Purse deve prosseguir em sua missão de “atender às necessidades de pessoas vítimas de guerra, pobreza, desastres naturais, doenças e fome”. A organização está programada para sair totalmente do Central Park até o final da semana, desde que os pacientes restantes tenham recebido alta. 

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