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Pais protecionistas, filhos fracos. Pais protecionistas, filhos empoderados

 


Lecionando no Estado de São Paulo alguns vários anos atrás tive uma experiência um tanto quanto nebulosa e pesada com um aluno de ensino médio. Diante de um procedimento desrespeitoso para com os colegas pedi para que o aluno se retirasse da sala. O mesmo revestido de altivez e arrogância se dirigiu a mim e disse: “preto nojento e vagabundo”.

De fato sou preto, não nego e nem me vejo menor por ter essa cor, contudo ter sido chamado de nojento e vagabundo foi inadmissível, de baixo calão e um ato criminoso. Chamei os pais do mesmo, mas somente a mãe compareceu. Para minha surpresa ela citou dois fatos que me diminuía e empoderava o filho: “olha professor meu filho não gosta de você e o pai dele é policial, tome cuidado.” Notei que empáfia era a tônica que sustentava a família. Lidar com pessoas assim é pisar em cascas de ovos, é desgastante e sobretudo lamentável.

Faço uso dessa triste e medonha experiência com o fim de canalizar nossas mentes para o fato em como nossos filhos estão sendo “deseducados”.  Comparações nem sempre são salutares mas há um abismo entre as gerações do século passado com o século atual. No passado a criação era verticalizada, pais de pouco diálogo e disciplina rígida e sem muita piedade para com filhos petulantes e desobedientes.

Atualmente  pais e filhos assumiram uma postura um tanto quanto mais horizontalizada. No ambiente familiar de hoje os filhos falam quase que no mesmo nível dos pais e contemplam privilégios desmedidos encorpados pelo suor e luta dos próprios pais que vivem para e em função dos filhos. Nesse último contexto, por exemplo, torna-se comum ver crianças gritando e impondo aos pais o que se deve comprar quando todos estão juntos num supermercado e filhos adolescentes xingando os pais de “idiotas”.

O que não desejo aqui é fomentar disputas entre gerações mas em colocar os pés no chão para se ter a percepção dos notórios prejuízos provocados por pais que não admitem que seus filhos sejam decepcionados. Estamos vendendo um mundo surreal para nossos filhos. Esse mundo imaginário revestido de utopias de que nossos filhos não sentirão dor, de que não serão contrariados está formando gerações toscas, fracas e sem as percepções de que o lado de fora de nossa casa é grosso, é duro, tem espinhos, tem barreiras e uma montanha a ser escalada.

Filhos fracos vão chorar e se entranhar de autocomiseração quando ouvirem um sonoro “não”, quando o patrão falar grosso, quando o professor corrigir a prova e a nota for abaixo da média. Os pais não devem, não podem criar um mundo fofo, cheiroso e glamouroso para seus filhos como se tudo fosse perfumado, castelo, passarela, holofotes e como se o mundo lhes pertencesse. O mundo é uma selva onde pessoas transgridem, burlam sistema, assaltam celulares, tem valores diversos ao que aprendemos em casa.  Pais protetores constroem redomas mas não atentam para as flechadas que vem de fora, assim formam filhos sem resistência, sem fôlego, manhoso, delicados, intocáveis e frágeis. Cuidados papai e mamãe.



Pais protetores, além de querer adequar gestores, professores, patrões e o resto do mundo aos gostos e vontades de seus filhos, costumam suar a camisa para dar tudo que os filhos querem. Prometem ao filho, por exemplo, que caso aprovado na escola irão ganhar um celular. Nada contra presentear filhos, mas os pais devem entender que dever é dever. Presente é um adendo. Assim pais vão empoderando seus filhos. Alimentam seus filhos de um poder que não terão lá fora. Mais uma utopia de que podem exigir, mandar e negociar suas responsabilidades. Como vocês, pais, educam seus filhos? Que filho vocês estão enviando para fora de suas casas?                      

Com relação a criação dos filhos, os pais precisam ter objetivos, deve ter muita responsabilidade, seriedade e amor. Os filhos precisam ser disciplinados, orientados e instruídos para que possam ser cidadãos de bem, pois eles são bênçãos do Senhor Deus, conforme Salmo 127:3. Os filhos não devem ser um peso para os pais e sim uma bênção. Apesar de que existem filhos que não querem se submeter a autoridade dos pais, infelizmente isso é real. Os pais precisam ser exemplos, modelos e o referencial para os filhos, nesse caso os pais devem praticar o respeito, confiança, lealdade, afeto e amor. Temer a Deus e viver os princípios Bíblicos ajuda muito nesse convívio de pais e filhos.

Provérbio 1:8 diz que o filho deve ouvir o ensino do pai e não deve deixar a instrução da mãe. O ensino do pai e a instrução da mãe, entendo que deve ser bíblica, mesmo tendo outros ensinos e outras instruções. Os pais têm o dever de corrigir os filhos, a correção faz com que os filhos tenham comportamento exemplar. Corrigir não é espancar, afligir nem torturar os filhos. Portanto, ser pai ou mãe não é uma tarefa fácil, mas quem nos capacita para tal função é o Senhor que constituiu a família. Os pais não devem desistir de seus filhos, apesar de que têm alguns difíceis de educar e instruir. Em grande parte os pais são responsáveis pela formação dos filhos, ou pelo menos devem orientá-los para que estes possam ser cidadãos de bem.

* Por Josué Ferreira – Teólogo e pastor; Wender Ciricio - Psicopedagogo, historiador, teólogo e professor

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