Governo chinês aumenta a pressão contra Igreja Católica em Hong Kong

Cardeal Joseph Zen: “Estamos no fundo do poço - não há mais liberdade de expressão” |FOTO: Kin Cheung/AP


O governo comunista da China está aumentando sua pressão sobre a Igreja Católica em Hong Kong após a aprovação em maio da Lei de Segurança Nacional, que dá jurisdição à China continental na outrora região autônoma.

Um extenso relatório da Reuters , publicado na última quarta-feira (30), revelou as prisões de duas freiras católicas de meia-idade detidas em maio enquanto visitavam suas famílias na província de Hebei.

Três semanas depois de serem presas, elas foram libertados em prisão domiciliar e proibidos de deixar a China continental. As duas freiras trabalharam na missão diplomática não oficial do Vaticano em Hong Kong, o epicentro da repressão de Pequim à liberdade e à liberdade religiosa. 

Clérigos importantes em Hong Kong e no Vaticano veem as detenções das freiras como um sinal de que o governo chinês deseja o encerramento da missão. E como o Vaticano não tem nenhuma relação diplomática oficial com a China, a missão, que não goza de nenhum status legítimo, é vítima de maior vigilância governamental.

Além disso, Pequim está tentando influenciar Hong Kong na escolha de seu próximo bispo, um cargo que está vago desde a morte do prelado anterior em 2018. Membros do clero de Hong Kong disseram à Reuters que as autoridades chinesas estão tentando invocar um acordo de dois anos com o Vaticano, que permitiria a Pequim uma palavra a dizer nas nomeações de prelados.

O cardeal Joseph Zen, ex-bispo de Hong Kong, disse à Reuters: “Estamos no fundo do poço - não há mais liberdade de expressão”. Ele prosseguiu dizendo que as repressões à liberdade religiosa “são normais” na China continental, acrescentando: “Estamos nos tornando como qualquer outra cidade na China”.

Zen, um defensor declarado da liberdade religiosa, disse ao meio de comunicação que as autoridades chinesas podem aceitar “qualquer palavra” que alguém disser e alegar que estão “ofendendo a Lei de Segurança Nacional”. A pressão anti-religiosa de Pequim já teve um efeito assustador sobre os crentes em Hong Kong.

O cardeal John Tong, chefe interino da igreja local em Hong Kong, tem tentado silenciar vozes ativistas na hierarquia católica, segundo a investigação da Reuters. O clérigo de 81 anos pediu aos padres que evitem fazer sermões "muito políticos", acrescentando que eles devem ficar longe de linguagem que possa causar "desordem social".

Entre outras coisas, a recém-promulgada Lei de Segurança Nacional criminaliza a secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras ou externas.

FONTE: Faitwire


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